sábado, 3 de março de 2012

Estrela...


Algumas pessoas passam pelas nossas vidas como estrelas cadentes. 
Mudam de rotina, de cidade, de hábitos, de vida. 
Deixam seu brilho e seguem para iluminar outros olhares. 
Foi assim que ele passou pela minha vida. 
Um colega, um amigo, um homem admirável com suas dores e dilemas. 
Caetano Veloso tinha razão: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é!"
Pessoas com sentidos aguçados tem seus sabores são mais acentuados.
Um coração partido pode levar a reações pouco prováveis.
Então a sua estrela se apagou para os meus olhos, mas manterá seu brilho na memória de muitos.

Estrela, Estrela (Vitor Ramil)
Estrela, estrela / Como ser assim / Tão só, tão só / E nunca sofrer
Brilhar, brilhar / Quase sem querer / Deixar, deixar / Ser o que se é
No corpo nu / Da constelação / Estás, estás / Sobre uma das mãos
E vais e vens / Como um lampião / Ao vento frio / De um lugar qualquer
É bom saber / Que és parte de mim / Assim como és / Parte das manhãs
Melhor, melhor / É poder gozar / Da paz, da paz / Que trazes aqui
Eu canto, eu canto / Por poder te ver / No céu, no céu / Como um balão
Eu canto e sei / Que também me vês / Aqui, aqui / Com essa canção

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Homem para casar...

(Usina do Gasômetro, dezembro de 2011)

No século passado era comum os homens utilizarem a expressão "mulher para casar". Essa mulher teria que reunir um conjunto de características apreciadas pelos homens daquela época. As habilidades domésticas eram fundamentais e serviam como indicativos do seu potencial como esposa e mãe dedicada. A família da moça também era considerada na avaliação, sobretudo quando se tratava de uma família tradicional e com posses.

O tempo passou, a perspectiva do casamento na sociedade mudou, mas essa avaliação ainda acontece entre homens e mulheres. Não espalhem por aí, mas as mulheres também avaliam e rotulam seus pretendentes, ficantes, amigos coloridos e assemelhados... Essa avaliação preliminar tenta identificar os que devem ser "levados a sério" e os aparentemente querem uma "relação casual e descompromissada".

Dias atrás, durante um almoço solitário, me distraí ouvindo a discussão da mesa ao lado sobre os três pretendentes de uma das moças. João era, sem dúvida, o mais bonito, divertido e conhecedor do universo feminino,  mas dava todas as evidências de um "cafa do tipo assumido". Já havia ficado com outras amigas da moça, tinha uma agenda complicada nos finais de semana e após a avaliação do perfil  do rapaz no facebook, não lhe restou  dúvidas: João não era para namorar. Ele seria, no máximo, uma opção para encontros eventuais. Carlos, por sua vez, era muito simpático e dedicado ao trabalho, mas totalmente desprovido de atributos físicos. Logo, a este segundo restou o papel de "amiguinho - sem risco, nem perigo". Por fim, Pedro foi o eleito como "homem para casar". Pela descrição, ele não parecia ser muito bonito, entretanto a moça o considerava inteligente, bem humorado e uma boa companhia. Com o aval das amigas, decidiu investir em Pedro e usar com ele todas as suas armas de sedução para um futuro comprometimento.

Depois de uma longa reflexão sobre o tema, eu tenho minhas dúvidas em relação à eficiência dessa prática feminina. O contexto e as pessoas mudam, sobretudo quando estão apaixonadas. O amor é sempre surpresa em sua chegada e partida. Sou solteira, mas acho que "homem para casar" é aquele com o qual temos a sintonia de amar e sermos amadas com respeito e intensidade. Não tem fórmulas, nem regras. "Homem para casar" é aquele que nos faz feliz!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Balzaquiana...

(Porto Alegre, janeiro de 2012)

Sou uma mulher de 30 anos. Basta me olhar no espelho e percebo as mutações do tempo. Sem dúvida, graças aos avanços tecnológicos, a minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos... (risos) Por sinal, até gosto quando os colegas do colégio não me reconhecem. Talvez não tenha mudado tanto assim, mas me sinto muito mais feliz e confortável comigo mesma.

De fato, foram muitos acontecimentos importantes e pequenos fatos que mudaram radicalmente a minha trajetória. Mudei de endereço algumas vezes. Viajei. Tomei importantes decisões profissionais. Superei obstáculos, mas ainda tenho dúvidas. Me aventurei no desconhecido e testei meus limites em diversas situações. Eu amei intensamente e ainda amo. Enfrentei o medo da solidão e, mais do que nunca, aprendi a apreciar o prazer da minha própria companhia. Não encontrei tudo o que procurava, mas não desisto de procurar.

É também muito divertido ter trinta anos. A gente descobre muitas coisas, que nos ajudam a tornar a vida mais leve. O cabelo cresce. O corretivo resolve a espinha inesperada. Nada melhor que um sorriso no rosto para ressaltar a maquiagem.Quando um problema não tem solução, basta ser flexível. "Não" também é uma resposta, que deve ser dada quando necessário e ser aceita com dignidade. Um doutorado em Administração tem pouco valor numa pista de dança de salão. As amizades e os relacionamentos amorosos passam por altos e baixos. Um fim do namoro não é o fim do mundo. A intensidade pode ser mais importante do que a duração. Não adianta forçar a porta, a chave pode estar errada. O desconhecido pode ser inseguro, mas também prazeroso. Errar é realmente parte da natureza humana. O mais importante não é evitar a queda, mas aprender a cair... Relaxar o corpo e não lutar contra as leis da física.

Finalmente, aos trinta anos me sinto feliz na condição de "eterna aprendiz"!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Potencial...

(Vale dos Vinhedos, dezembro de 2011)

O solo íngreme e cravado de cristais, assustaria um visitante menos experiente. O que seria possível produzir naquele terreno? Entretanto, seus olhos viam além daquelas velhas parreiras de pouco valor. Eu conhecia bem aquele olhar sereno e confiante. Foi este mesmo olhar que acompanhou minha trajetória nos últimos anos, por vezes distante, por vezes mais de perto. Ele tem o dom de ver o potencial. Mais do que isso, ele acredita no potencial da terra, das pessoas e dos seus sonhos.

Foi assim que decidiu construir seu novo caminho de desafios. Não lhe preocupavam as dificuldades e as limitações daquele solo pobre, mas o potencial de produção de um grande vinho. Lhe interessava realizar o que muitos julgavam impossível nas mesmas condições. Por isso, considero essa a lição mais valiosa que me foi transmitida e que me esforçarei para praticá-la em 2012.

Diante das metas impossíveis, prefiro acreditar no meu potencial de realização. Eu prefiro lutar pelo improvável, do que me conformar com os limites e as expectativas que outros tentam me impor. Como sempre, o ano se inicia com uma lista de objetivos e metas que parecem bem maiores do que os meus pequenos passos. Então, eu fecho os olhos para me permitir ver todo o potencial a ser realizado. Pacientemente, eu aprecio um belo pôr-do-sol... Que venha 2012!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Eu te desejo...

(Rumo a 2012..)

Eu te desejo...
Uma vida longa e saudável
Dias de paz e brisa do mar
Cheiro de terra molhada
Uma parada para assistir um belo pôr-do-sol
Bons amigos ao redor da mesa
Uma taça de um bom vinho nas noites de inverno
Outra de espumante para os fins de tarde no verão
Um sorriso largo para encarar as dificuldades
Um coração generoso para com o próximo
Mãos afetuosas para acalentar a tristeza
Força diante dos desafios e desapontamentos
Bom humor nos tropeços da vida
Paciência e persistência para ultrapassar os obstáculos
Uma consciência tranquila e noites bem dormidas
Um amor para aquecer o coração
Novos sonhos para seguir em frente
Talvez sejam muitos desejos...
Então, desejo apenas que sejas feliz!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Coragem...

(Arthur's Seat, novembro de 2011)

Fazia algum tempo que não nos encontrávamos. A correia do dia-a-dia. As muitas viagens a trabalho. As mudanças dos últimos meses. Ainda assim, vez que outra passávamos algum tempo ao telefone para diminuir a distância. Nos nossos poucos encontros, o tempo voava e não dava tempo de nos atualizarmos de todas as pequenas novidades. Foi assim que mantivemos uma intimidade singular depois de tantas transformações. Mas confesso que, naquele dia, ela estava diferente ao telefone. Precisava me encontrar com uma certa urgência. Queria desabafar e me escutar para se sentir menos solitária. Depois de uma longa conversa, tudo o que consegui dizer foi:

- É preciso coragem para aceitar o fim do amor!

Essa frase ressoou nas paredes da sala do meu apartamento e no meu próprio coração. De fato, é preciso coragem para quem vê o amor escoando entre os dedos. Sofre quem deixa. Sofre quem é deixado. O fim do amor nunca é indolor. Por isso, eu repeti... é preciso coragem para escalar essa montanha, minha amiga.

Sim, é preciso coragem para aceitar que não se trata de "mal me quer ou bem me quer..." A gente pode continuar querendo o bem da outra pessoa, a companhia e a amizade, mas já não é um amor eros. É preciso coragem para machucar quem ainda se quer bem, pois é melhor deixar o outro livre para viver um novo amor, do que mantê-lo preso e mal amado. Também é preciso coragem para aceitar o fim e ver o ser amado partir. Coragem para não se contentar com as migalhas de afeto do que já foi um grande amor. Presentes, ligações, e-mails ou telegramas perdem o valor. Não adianta insistir. Você ainda ama, mas amar sozinho não basta. Então, é preciso coragem para não ligar, não escrever, enxugar as lágrimas e esquecer mesmo sem se conformar com o fim.

Naquela noite chuvosa, eu olhei com ternura a minha amiga, quase como quem se vê num espelho. Beije-lhe a testa e a abracei com um coração despedaçado. Continuei a minha frase, como se ela estivesse lendo os meus pensamentos:
- Hoje pode parecer impossível, mas é preciso coragem para, ao menos, começar a tentar querer esquecer...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E as novidades?!

(Londres, outono de 2011)

O telefone toca e você me pergunta: 
- E as novidades?!
- De fato, nada de extraordinário me aconteceu nos últimos dias.
Entre o fim da primavera e o início do verão...
Entre raios de sol e tempestades...
Entre dias leves e pesados...
Entre os altos e baixos hormonais de qualquer mulher...
Eu sigo com o mesmo sorriso no rosto e cabelos desalinhados.
Cabeça erguida para disfarçar o último tropeço.
Tento respeitar o ritmo da vida, nem sempre no compasso que desejo.
Tive aulas de dança para aprender a me deixar conduzir.
Revi alguns bons amigos e encontrei novos pelo caminho.
Celebrei as vitórias da semana com um bom vinho.
Feliz por não estar mais sedentária, sinto as dores musculares da troca de treino.
Amanhã começo uma nova dieta por 17 dias para me preparar para o biquíni.
Ajudei meu pai a montar um sofá-cama no escritório no final de semana.
Ainda checo minha caixa de entrada à espera de uma resposta.
Talvez eu devesse seguir o teu conselho.
Por isso, eu comecei a planejar a próxima viagem.
Enquanto admiro o pôr do sol, eu deito na velha rede para pensar no ano que quase termina.
Recordo alguns bons momentos como os flash backs dos seriados.
Tantas coisas boas me aconteceram...
Tantas lágrimas desnecessárias...
Tantos destinos e possibilidades...
Aproveitando o último mês do ano, decidi entrar num momento de auto-avaliação: Fechada para balanço!
Bom, além de todos esses pequenos eventos do meu cotidiano, acho que não tenho novidades.