sexta-feira, 10 de maio de 2013

Novos perfumes...

(Santa Maria, maio de 2013)

Eu sou apreciadora de perfumes. Gosto de combinar as fragrâncias com o meu humor. Alguns dias sou floral e no outro quero ser marcante e intensa. Em outros, eu prefiro passar quase desapercebida com notas leves e cítricas. Mas minha pele é também exigente. Nem todos os perfumes me caem bem. Os mais populares normalmente não combinam comigo. Preciso sentir na pele pra decidir...

Com o passar dos anos, eu montei minha pequena e modesta coleção de perfumes. Eles foram se aglomerando na prateleira, organizados por cores, notas e finalidades. Foi então que decidi acabar com todos os meus perfumes!!! Sim... Prometi a mim mesma não comprar novos perfumes até finalizar os antigos.

Talvez essa seja a minha forma de recomeçar. Virar a página. Acreditar no improvável. Renovar a fé. Nem sempre é fácil... A gente se apega à velha coleção de perfumes, aos sentimentos conhecidos e aos medos que parecem proteger. Entretanto, é hora do desapego e de trilhar novos caminhos...

Três frascos já estão vazios. Os demais já estão abaixo do meio. Aos poucos vejo os velhos perfumes serem terminados e cederem espaço para os novos.  Com um sorriso no rosto eu penso: "É hora de ter esperança no futuro e de abrir o coração, sem medo, para um grande amor."

http://www.youtube.com/watch?v=seZMOTGCDag 
"It's not always easy and sometimes life can be deceiving / I'll tell you one thing, it's always better when we're together" (Better Together, Jack Johnson)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ousadia sem elegância...

(Céu de Olinda, fevereiro de 2013)


O carnaval estava estampado no sorriso das pessoas, na pintura do ônibus lotado, nas fantasias, nas máscaras e por todos os lados da cidade. Os bonecões, as troças mistas, os bloquinhos e os foliões aglomeravam uma massa ávida por diversão. Da tradição dos maracatus do Recife Antigo às ladeiras de Olinda. Com a objetividade de uma pesquisadora treinada, eu observava tudo atentamente do alto da Praça da Sé ou da Torre Malakoff!

O caminho do carnaval pernambucado era colorido e alegre, mas também tortuoso e íngreme. Havia momentos em que os pés não tocavam o chão. O corpo era arrastado pela força dos blocos. Nessa multidão, as pessoas assumiam outra personalidade. Acho que talvez revelassem o que escondiam ao longo do ano pressionadas pelas normas e regras sociais. Na euforia carnavalesca, se permitiam trocar de gênero, criar personagens, buscar novas sensações, roubar beijos, etc.

É proibido proibir, afinal é carnaval. Nesse afã, muitos perdiam os medos, os critérios e a elegância. Mas quem se importava? A mocinha de roupa branca atacou o tímido rapaz indeciso. O pirata não se apresentava: beijava primeiro e conversava depois (quando conversava). Não interessava o nome, a idade ou a profissão. A abordagem era quase sempre rápida e ousada. No final do dia, tratava-se apenas de mais uma boca na contabilidade dos muitos beijos dados ou roubados.

Entre o caos de encontros, reencontros e desencontros, havia também histórias de amor no carnaval. Amores antigos se reencontravam no escuro das vielas. Casais que faziam do beijo despretencioso o primeiro passo. Amigos se reuniam ao som de um ritmo qualquer. Adultos, crianças e idosos invadiam as ruas com uma energia incomum.

Então, o carnaval termina. A fantasia é delicamente guardada. O corpo se recupera e surgem algumas cicatrizes da atividade intensa e inconsequente. As moças recolocam o salto e os rapazes retomam as estratégias de aproximação e sedução. Tudo volta ao normal (ou quase tudo)!

“Olinda! quero cantar a ti essa canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!”
(Hino do Elefante, 1952)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mudança!


Eu gosto de mudar.
Me faz bem enorme e oxigena a minha vida...

Talvez por isso que eu precise viver em constante mudança!
De tempos em tempos, eu mudo o corte do cabelo.
Às vezes me cai bem, outras nem tanto. É apenas um teste, afinal o cabelo cresce...
Gosto de testar novos caminhos. Mais longos, mais curtos, mais bonitos! Pouco importa... a mesma rota é enfadonha. Eu preciso explorar novos trajetos para descobrir lugares desconhecidos.
Eu vejo filmes alternativos e pouco comentados. Leio livros de autores desconhecidos. Fotografo o improvável. Escuto bandas e cantores que não estão nas paradas de sucesso (e talvez nunca estejam, eu espero).
Também adoro testar novos restaurantes, novos vinhos, novos pratos!
Temperos, aromas e sabores diferentes me seduzem...
Aos melhores, me torno fiel. Aos de pouco impacto, se tornam mais um na lista.
A mudança faz parte de mim, apesar da desordem e do desiquilíbrio!
Quando a vida parece um lago tranquilo, agito minhas mãos na água.
As pequenas ondas geram movimento no meu barquinho e me impulsionam...
Em meio às caixas com meus objetos pessoais que se acumulam na sala do meu novo apartamento, eu me sinto exausta e feliz.
São nesses momentos caóticos que eu encontro a paz de mais um ciclo de mudanças que se inicia!

sábado, 29 de dezembro de 2012

O fim do mundo...


O mundo Maia já havia acabado séculos atrás por armas e germes, por isso ninguém sabia exatamente o motivo... Os maias estavam prevendo o fim do mundo ou faltou espaço para seguir com o calendário? De qualquer forma, o assunto nos últimos dias de 2012 era o possível fim do mundo. Alguns preferiram ignorar a data. Outros se refugiavam em cidades místicas. Havia ainda os que preferiam reunir os amigos naquela noite e comemorar pela última vez.

No dia 21 de dezembro de 2012, ela saiu decidida! Se o mundo tivesse que acabar, seria em grande estilo. Colocou aquele "vestidinho preto" e saiu meio sem destino. Decidiu que passaria o fim do mundo sozinha! Afinal, poucas pessoas sabem apreciar o prazer da própria companhia com a devida intensidade.

No prazer solitário de uma boa taça de vinho, muitas coisas vieram a sua mente. Pensou nas pessoas maravilhosas que tivera a oportunidade de conhecer. Recordou os lugares que havia passado e de tantos outros que seguiam na lista de destinos. Comemorou as pequenas e grandes vitórias do ano.

Lembrou com carinho de seus ex-amores e dos bons momentos compartilhados. Ela havia feito inúmeras pequenas loucuras por amor e sentia orgulho de tanta coragem e ousadia. Sempre foi precipitada, o que lhe conferia méritos e fracassos. Algumas quedas foram altas, mas ainda estava de pé. Lamentou pelos erros, mas não permitiu que a culpa ficasse por muito tempo naquela última noite.

Colocou seu sorriso mais bonito no rosto ao som de "I still haven't found what I'm looking for". Afinal, nem ela mesma sabia o que estava procurando. Respirou fundo quando percebeu a aproximação de um estranho. Mulher sozinha sempre chama atenção! A lenda urbana as rotulam de presas fáceis. Após a longa reflexão, chegou a conclusão que a vida precisava seguir... pelo menos até o mundo acabar!

O ÚLTIMO DIA (Paulinho Moska)
http://www.youtube.com/watch?v=Zb4eqZqCZFo

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria


domingo, 16 de dezembro de 2012

Sumiu?


Semana passada encontrei uma amiga muito desapontada com um típico comportamento masculino: o sumiço. Ela começou a relatar detalhadamente a sua história.

Era verão, mas podia ser em qualquer estação do ano. Eles se encontraram ao acaso num bar qualquer. Foi um evento pouco provável. Um rápido contato, um sorriso e uma porta aberta. A sintonia era inegável, apesar da distância, do passar dos dias e dos tantos desencontros da vida. Nesses encontros esporádicos, ela começou a cultivar a esperança de que poderia dar certo.

Depois do último encontro parecia que tudo iria se encaixar. Havia um esboço de planos e uma agenda em comum! Foi então que, sem aviso prévio ou mudança de comportamento, ele desapareceu. Não deu motivos. Não disse adeus. Não deixou um bilhetinho azul. Apenas sumiu do mapa.

Nelson Rodrigues diria que ele foi comprar cigarros e nunca mais voltou. O dramaturgo conhecia bem a natureza masculina. Sumir é mais fácil do que encarar a verdade. Ele preferiu o silêncio, sem saber que o silêncio é a mais dura das respostas. Significa a indiferença de quem nada sente. A forma mais covarde de terminar uma quase-relação sem se posicionar.

Ele não respondia as mensagens e não atendia as ligações. Após duas ou três tentativas, ela entendeu o recado. Ainda assim, a moça ficou sem entender. Sentia-se ingenuamente enganada. Em vão, ela procurava um motivo, uma explicação, uma resposta para tal comportamento. Medo? Insegurança? Muitos compromissos? Nada disso, ele simplesmente não estava mais interessado e desapareceu.

Minha amiga, como tantas outras mulheres, merecia simplesmente a hombridade de um adeus para colocar um ponto final. Lamentável... Consolei a minha amiga, pois sabia que esse comportamento é comum no universo das frágeis relações contemporâneas. Em tempos de relacionamentos líquidos, o respeito ao próximo também se evaporou.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Diferente...


Eu queria ter feito algumas coisas diferentes, mas não posso mudar meu passado. De certa forma, eu também não o quero. Não saberia controlar as consequências de um pequeno ato que mudaria tudo. Por isso, carrego silenciosamente minhas cicatrizes e as lembranças das feridas que causei com a minha ansiedade. Confesso que feri, mas meu coração também foi despedaçado uma meia dúzia de vezes.

Então, eu lamento... Lamento a tua indiferença. Lamento a minha impaciência. Lamento a tua pequena mentira, que rompeu a minha confiança. Lamento o telefone que não tocou, a mensagem que não chegou e a resposta que eu nunca recebi. Lamento a tua praticidade. Lamento o meu lado dramático. Lamento minhas escolhas. Lamento a tua ausência, que, nos últimos tempos, eu aprendi a aceitá-la com resignação. Desolé pour toi. Desolé pour moi.

Nos meus dias de lamento, eu não penso no que poderia ter sido diferente. Eu prefiro pensar no futuro. Amanhã a vida recomeça e novas possibilidades se abrem diante de mim. Possibilidades são infinitas e imprevisíveis, como você e eu.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Se for cair...


(Boston, agosto de 2012)


Em algumas situações não é possível evitar a queda. Por isso, eu acredito que mais importante não é manter-se em pé, mas saber cair quando for inevitável.
Se for cair...
Não adianta enrijecer o corpo.
Não adianta lutar contra a lei da gravidade.
Não adianta lamentar o passo em falso.
Não adianta querer voltar no tempo.
Se for cair, deite logo.
Respire fundo e dê um tempo.
Logo você estará em pé novamente.
Um pouco mais atento, um pouco mais experiente.
O chão também pode ser uma oportunidade para ver a vida de outro ângulo.
Se for cair, relaxe.