quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma pausa...



Trabalhar é preciso, mas pausar é fundamental. Pela sua importância em nossas vidas, vou dedicar essa crônica às mais diversas pausas do nosso cotidiano!

Uma pausa pode ser breve. Alguns minutos para um café, um docinho, um alongamento, um vídeo no youtube, um chá, uma 'rápida' checagem no facebook. Uma pausa para olhar para o lado e sorrir. Nessas breves pausas o desafio é relaxar, sem perder o foco e a concentração.

Por vezes, a pausa pode exigir um pouco mais de tempo, seja para um almoço à francesa durante a semana com agenda lotada, seja para um churrasco em família. Uma pausa para um cinema, um concerto, uma peça de teatro, um filme em casa. Uma noite de festa também pode ter um bom efeito nas necessárias pausas semanais ou mensais. Nada melhor do que uma pausa para um jantar a dois com um bom vinho e um delicioso risoto à Jaime Oliver.

Em algumas situações, precisamos levar a pausa a sério, pois algumas horas não bastam. Por sinal, um dia de pausa por semana é questão de saúde pública. Quando não é possível, a expressão facial muda e as olheiras surgem. O ar cansado reflete não apenas o estresse acumulado, mas a necessidade do corpo  de pausar. Por sinal, uma boa pausa ajuda a recuperar o viço da pele e pode ser mais eficiente do que muitos cosméticos e tratamentos estéticos.

Por isso, eu defendo a importância das pequenas e grandes pausas... É nas pausas que lembramos de admirar o caminho! É nas pausas que esquecemos as metas, os prazos, as cobranças! Nada disso importa. Nas pausas da vida, o importante é ser feliz!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Românticas



Os tempos mudaram. As mulheres ingressaram no mercado de trabalho e conquistaram sua independência. Passaram a desempenhar múltiplos papéis na sociedade e, frequentemente, contrariam as expectativas sociais da geração passada. Não são mais o ‘sexo frágil’. Tomam decisões de maneira firme e prática. Mas não podem negar que permanecem românticas.

Sim, as mulheres gostam...
de receber flores, principalmente sem uma data especial no calendário.
de convites inesperados para um jantar.
de ir ao cinema de mãos dadas e dividir a pipoca.
de histórias complicadas com final feliz.
de olhar um belo pôr do sol.
de letras melosas das clássicas canções da MPB.
de longas conversas encerradas por um beijo.
de declarações sussurradas ao pé do ouvido.

O romantismo é parte do encanto feminino. Conhecendo essas preferências, os homens desenvolverão habilidades importantes nas suas investidas. Entretanto, esse romantismo é acompanhado por uma complexidade peculiar – mudanças de humor, inseguranças, indecisões, ciclos hormonais e a personalidade de cada uma. Por isso, alguns homens podem nos chamar de dramáticas, inquietas e confusas. Há ainda os que prefiram permanecer distantes deste universo para preservar a sanidade. Pobres moços...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pé do ouvido...

(Brique da Redenção, março de 2012)

O táxi não chega, a correspondência atrasa, o vôo precisa ser cancelado, as regras do jogo mudam, a maré fica perigosa, eu me adianto e perco o timing. Não importa o motivo! Esses desencontros da vida me levaram a crer na força do destino. Em tais circunstâncias, eu já não insisto, nem aceito com completa resignação. Tento ser sensível aos sinais do ambiente. Então, o melhor a fazer é: "Laissez faire. Laissez passer. Laissez aller."

Por isso, quando tudo parece dar errado, eu prefiro segurar a onda e tirar meu time de campo.  Silenciosamente, eu me protejo atrás da trincheira. Guardo as armas e me preparo para um novo ataque em momento oportuno.

Sempre acreditei que nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e que, de alguma forma, moldamos parte do nosso destino. Com o passar dos anos, passei também a reconhecer como a vida é "caótica". Afinal, o bater de asas de uma borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo. Em tempos de caos, prefiro não arriscar e mantenho as minhas asas recolhidas. Descobri que não adianta gritar por atenção, aguardo pacientemente o momento de sussurrar ao pé do teu ouvido.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Namorando sozinha...

Semana passada eu acompanhei uma história trágico-cômica que me levou a essa reflexão. Eu saí no sábado à noite para festejar o aniversário de uma amiga. O lugar era bem conhecido e o público fiel. Quase no fim da festa, eu já estava cansada e me encostei no bar para simplesmente observar o movimento. Então, acompanhei a discussão de uma moça descontente com o seu "namorado", que havia encontrado alguém na mesma festa.

O moço tentava se justificar, embora estivessem saindo há algumas semanas e ele apreciasse a sua companhia, alegava não haver compromisso entre eles. A moça afirmou que, após alguns encontros consecutivos, deduziu estar namorando e privou-se de novos contatos. O rapaz decidiu manter-se livre, afinal não tinha certeza de que estava preparado para assumir uma relação. O tema não entrou em debate e eles foram levando até esse incidente...

Não acompanhei o final da história, mas fiquei curiosa. Afinal, o que eles fizeram? Ninguém tinha culpa, tudo foi um problema de comunicação. Quem nunca iludiu alguém, mesmo tentando ser honesto, que atire a primeira pedra! Quem nunca namorou sozinho, que contenha o ar de deboche! Não se controla as expectativas de outrem, e às vezes, nem as próprias.

Acontece que o ciclo das relações contemporâneas está cada vez mais confuso. O processo de aproximação romântica não é mais o mesmo. Nem os príncipes, nem as princesas, nem as expectativas dos homens e das mulheres nas relações. O príncipe já não anda num cavalo branco e a bela princesa não permanece adormecida.  Não é tão simples identificar o começo, o meio e o fim. Então, parece mais fácil ficar enrolado.

Por tudo isso, eu acho que o grande desafio dos solteiros é encontrar reciprocidade! Dizem por aí que todo mundo procura alguém. Suspeito que o mais difícil não seja encontrar, difícil mesmo é lidar com tantos desencontros!

quarta-feira, 28 de março de 2012

A arte de perder

Eu estou tentando dominar a "arte de perder"! 
Estou me acostumando com a ideia de perder. 
Desde que perdi minha inspiração, eu me permito perder outras coisas e aceitar com serenidade.
Perdi as chaves da sala e, então, eu perdi a sala!
Perdi o jogo de xadrez!
Perdi a simpatia de algumas pessoas!
Perdi o prazer por certos sabores!
Perdi o caminho de volta pra casa!
Perdi a tua companhia!
Surpreendentemente, quanto mais eu perdia, mais eu me achava.
Por isso, eu vou continuar perdendo.
Nem que seja para aprender a perder com um sorriso no rosto!
Afinal, saber perder é também um arte.

One Art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day.
Accept the fluster of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant to travel.
None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch.
And look! my last, or next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster, some realms
I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture I love)
I shan't have lied.
It's evident the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
(Elizabeth Bishop)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sem inspiração...

(Porto Alegre, 8 de março de 2012)

Não foi planejado. Simplesmente aconteceu! Lamentavelmente, eu perdi minha inspiração. Essas coisas que são inexplicavelmente espontâneas, nos invadem e nos deixam sem aviso prévio. Então, eu fiquei aqui. Completamente só sem a minha inspiração!

Eu perdi minha inspiração... depois de longas jornadas de trabalho em uma sala pequena e abafada. Entre centenas de páginas para revisar e orientar, eu descobri como ocultar a minha própria desorientação.

Eu perdi minha inspiração... por me limitar a elaborar lista de tarefas, registrar os compromissos na agenda, escrever textos acadêmicos e controlar, diariamente, todos os deadlines que cercam minha vida.

Eu perdi minha inspiração... por esquecer a beleza daquele pôr do sol e o prazer do chimarrão.

Eu perdi minha inspiração... enquanto cegamente eu buscava ideias e soluções para meus intermináveis problemas de pesquisa.

Eu perdi minha inspiração... quando você se calou e fechou a porta diante dos meus olhos.

Sem música, sem poesia, sem vinho, sem rosas...

Sinto também que perdi meus encantos e, a parte de mim que te encantava.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vai acontecer...


Mais uma vez eu estava atrasada para a natação! Rapidamente coloquei o maiô e, ainda atrapalhada pela pressa, eu tentava encaixa a touca de silicone na cabeça. Puxa aqui e ali, estica de um lado e do outro. Tinha a sensação de que quanto mais eu puxava, mais a touca se enrolava nos meus cabelos. Foi então que uma simpática senhora me advertiu:

- Para que pressa, se vai acontecer?!

Eu retribui com um sorriso amarelo, pois naquele momento não entendi a sabedoria daquelas palavras. Enquanto dava as primeiras braçadas desajeitadas, eu comecei a refletir sobre aquela frase que ainda martelava na minha cabeça. De fato, para que pressa, se vai acontecer?

Fiquei pensando nos inúmeros equívocos que a minha pressa me levou a cometer. Sempre quis fazer mil coisas ao mesmo tempo, conhecer uma centena de lugares e ocupar pelo menos três espaços ao mesmo tempo. Mas de que isso adiantou?

Para aproveitar a beleza da paisagem e os efêmeros bons momentos da vida, é preciso olhar sereno e coração tranquilo.  Vai acontecer... Eu vou para Nova Iorque, eu vou encontrar a minha centena de amigos (um de cada vez) e um amor para a vida. 

Por enquanto, sigo treinando uma braçada mais lenta para alcançar o outro lado da piscina. Quase sem fôlego, eu penso: vai acontecer...